
Entrevistas com Pais
Conhecendo outras histórias, fica mais fácil saber como lidar com o Autismo.
Conheça aqui alguns depoimentos de pais e mães que todos os dias lutam para que seus filhos sejam inclusos na sociedade. A cada semana, um depoimento novo sobre a rotina de uma família.
Família Rocha
A nossa entrevistada foi Sandra ****** Rocha, mãe do João ****** Rocha, ele tem 14 anos.
1 - Quais são as dificuldades dos pais para a inclusão de seu filho à sociedade?
A sociedade não tem um conhecimento adequado para lhe dar com essas crianças, por isso encontramos muitas dificuldades para incluí-las.
2 – O que ajudaria no processo de inclusão para o seu filho?
Mais projetos envolvendo essas crianças, ou se tiver, mais divulgação sobre esses projetos.
3 – Qual a maior dificuldade que você encontrou para conseguir matricular seu filho em uma escola pública?
No ato da matricula não tive dificuldades, mas depois tive muita.
4 – Você conhece alguma instituição capaz de prover aos pais um treinamento ou informação de como lidar com pacientes com TEA ao longo da vida? Se sim, qual seria essa instituição?
Não conheço.
5 – Você mantém contato com pais que também têm filhos com Autismo? Quais são os principais questionamentos que eles fazem a vocês?
Com mães de autista não, nunca tive conhecimento sobre o assunto através de outras pessoas.
6 – Quais as dificuldades que vocês enfrentaram desde o diagnostico de seu filho até o início do tratamento?
Da aceitação, no começo foi bem complicado porque não sabíamos do que se tratava, nem idéia do que era eu fazia porque ao mesmo tempo em que ele é como toda criança ele é diferente, não olhava pra ninguém, muitas pessoas chegavam para ver e ele começava a gritar e sai correndo, brinquedos eram poucos e simples que chamavam a atenção dele.
7- Escola Particular que tem um atendimento especializado para crianças com Autismo ou Escola Pública? Como foi a adaptação do seu filho com as outras crianças?
Ele adaptou bem, mas a dificuldade maior foi das professoras entenderem o problema e saber lhe dar com a situação, também é muito complicado achar escolas que disponibilizam monitores para o auxilio dessas crianças.
8 – O seu filho (sua filha) percebe que é diferente das demais crianças? Como as outras crianças interagem com seu filho(a)?
As vezes sim, as vezes não, depende muito do temperamento dele, em relação as outras crianças ele interage muito mais do que com adultos, super carinhoso com seus coleguinhas.
9 – Vocês já sofreram algum tipo de preconceito?
Sim, Quando começamos o tratamento tive que me deslocar muitas vezes de imediato para o médico, saiamos despreparados e nisso passamos muitos apertos com comida, em questão de ônibus, metro, e varias e varias vezes tive que sair de onde estava por causa do constrangimento porque ele começava a gritar e não parava até quando ele quisesse.
10 – Você conhece a lei 12.764?
Não
11- Como seu filho(sua filha) se comporta em casa?
Super tranquilo, depois que começou o tratamento esta mais alegre, mais ativo, converso mais, brinca mais, mas ainda as vezes se comporta muito como se fosse criança, hoje ele tem 14 anos.
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FAMÍLIA SILVA
Nossa entrevistada foi a vice-presidente do Amais Contagem- Grupo de Apoio a Pais e Familiares de Autistas, Dayse Lima Silva, mãe do Hugo, um garoto de 10 anos.
1 - Quais são as dificuldades dos pais para a inclusão de seu filho à sociedade?
Falta de Conhecimento e conscientização da sociedade sobre o TEA
2 – O que ajudaria no processo de inclusão para o seu filho?
Uma conscientização mais eficaz e as leis que já existem serem cumpridas.
3 – Qual a maior dificuldade que você encontrou para conseguir matricular seu filho em uma escola pública?
No meu caso não houve dificuldade em matricular, em minha Cidade (Contagem-MG) os autistas assim como toda pessoa com deficiência é aceito, a grande dificuldade é incluir, ter material e curriculum adaptado, ter um PDI ( Plano De Desenvolvimento Individual) , ter um professor de apoio aos que necessitam, atualmente nossa Cidade conta com estagiários para acompanhar os autistas , sendo um contrato por tempo e horario menor que o do aluno por ser um estágio.
4 – Você conhece alguma instituição capaz de prover aos pais um treinamento ou informação de como lidar com pacientes com TEA ao longo da vida? Se sim, qual seria essa instituição?
Sim! Várias! Existem em todo o país algumas instituições sérias com esse propósito AMA-SP, Clinica Escola de Itaboraí, algumas Apaes, e algumas instituições particulares como o CEI - http://ceidesenvolvimentohumano.com.br/2014/
5 – Você mantém contato com pais que também têm filhos com Autismo? Quais são os principais questionamentos que eles fazem a vocês?
Sim! Sou Vice Presidente de grupo de apoio a pais e familiares de autistas o Amais Contagem, os maiores questionamentos são com tratamento ( na sua maioria são caros e pouco acessíveis a pais carentes) Alimentação do autista ( devido a sua grande maioria ter seletividade alimentar, bem como alergias e intolerâncias alimentares), e Inclusão escolar ( nosso maior pesadelo, nossa mior dificuldade) Contamos hoje cadastrados no grupo com cerca de 90 familias.
6 – Quais as dificuldades que vocês enfrentaram desde o diagnostico de seu filho até o início do tratamento?
Falta de conhecimento, falta de acessibilidade a tratamento adequado a autistas pelo poder público. Falta de políticas públicas coltadas
7- Escola Particular que tem um atendimento especializado para crianças com Autismo ou Escola Pública? Como foi a adaptação do seu filho com as outras crianças?
Meu filho passou por 2 escolas particulares ( regular) e 3 escolas públicas, a adaptação no caso do meu filho é muito satisfatória, ele se adapta bem a colegas e escola. Porém não é feito um trabalho adequado as necessidades dele, não foi feito em nenuma das escolas frequantadas. Acredito que por grande falta de vontade do poder público em capacitar os profissionais e gestores escolares.
8 – O seu filho (sua filha) percebe que é diferente das demais crianças? Como as outras crianças interagem com seu filho(a)?
Meu filho fala, mas não sabe conversar tem dificuldades de comunicação ( como a maiorira dos autistas) portanto não sei até onde vai o conhecimento dele sobre sua condição. As outras crianças entendem que ele é especial e deficiente.
9 – Vocês já sofreram algum tipo de preconceito?
Várias vezes. Em filas de bancos, de shopping, em parques, em qualquer local público tem sempre olhares e muitos julgamentos, o autista é na sua enorme maioria de uma beleza impar, não tem nenhum indício de deficiência, mas como sabemos nem toda deficiência é visível, e as pessoas as vezes entendem como birras e pirraças uma crise de uma pessoa autista, muitas vezes a crise é sensorial devido ao ambiente.
10 – Você conhece a lei 12.764?
Sim. Foi uma lei muito esperada e aclamada por pais e familiares de autistas, a lei nos traz muitos benefícios e o principal deles, é o de reconhecer o autista como pessoa com deficiência para total fruição dos seus direitos. Art. 1°, § 2° A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais.
11- Como seu filho(sua filha) se comporta em casa?
Já tivemos muitos altos e baixos. Porém em casa o ambiente é adequado ás necessidades dele, sendo assim o comportamento em casa é tipico de uma criança de 10 anos ( porém com as peculiaridades do autismo)