
Entrevistas com Profissionais
Toda semana será postado uma entrevista com um profissional que atenda crianças com TEA, com eles iremos conhecer um o transtorno por um outro ângulo.
Profissional: Juana Libolio Lello Moreira
1. Quais são os principais sinais que diferenciam uma criança com o Transtorno do espectro autista de crianças que não possuem esse transtorno?
Forma de intervenção social, a comunicação verbal, o brincar, o olhar entre outros sintomas decorrente de cada criança.
2. Como os pais reagem ao receberem o diagnóstico que tem um filho com o transtorno?
A principio com receio, medo, falta de conhecimento, até às vezes com certas tristezas, até que aprendam a lidar com a situação.
3. Sabemos que existem variações do transtorno, nesse caso o tratamento é feito individualmente?
Sim. Na verdade é na forma que se vê está individualização, ou seja, para cada criança um programa, terapia especifica.
4. O que você acha que falta para que tenhamos mais profissionais preparados para receber crianças com o transtorno na rede de ensino público?
Falta de conscientização governamental. Tem-se dado mais enfoque aos outros tipos de síndromes, mas o autista já vem necessitando ocupar seu espaço.
5. Para um dentista, qual a dificuldade em atender uma criança com autismo? Ela fica muito agitada? É necessário dar uma anestesia geral para atender a essa criança?
Geralmente requer o acompanhamento junto com o pediatra e se necessário uso de medicamentos.
6. Qual a relação da psicologia no tratamento do Autista?
A psicologia é uma área de conhecimento que abrange diversos cenários de desenvolvimento humano, é de extrema importância que se faça presente utilizando métodos necessários e comprovadamente eficazes
7. Com que frequência o tratamento com autista deve ser realizado?Com um tratamento correto e o auxilio dos pais, dá para se ter uma idéia do tempo necessário para a criança começar a evoluir?
Deve se fazer um programa com métodos de forma a perceber gradualmente o progresso, isso varia de cada caso e de grau a ser trabalhado.
8. Quais tipos de exercícios ou tratamento você faz para que o autista tenha uma melhora?
Exercícios de identificação, comunicação, abordagem comportamental, contato visual, entre outros métodos a ser praticados ao longo do tratamento.
9. Você conhece algum paciente que teve uma melhora significativa do transtorno?
Sim, geralmente são crianças que os pais levam para tratar cedo, o quanto antes melhor para a criança.
10. Existe algum especialista que esteja preparado para ajudar aos PAIS das crianças?
Atualmente já possuem lugares especializados a atenderem tanto as crianças quanto os pais das crianças, profissionais preparados para trabalhar o psicólogo deles.
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Profissional : Yasmin Stuckenbruck – Psicóloga.
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Quais são os principais sinais que diferenciam uma criança com o Transtorno do espectro autista de crianças que não possuem esse transtorno?
O autismo revela-se em cada criança de uma forma diferente. O ponto crucial é a impossibilidade dessa criança se relacionar com o que o mundo exterior lhe oferece. Dessa forma, diversos sintomas podem ser apontados, nem sempre acontecendo simultaneamente na mesma criança. Algumas crianças não conseguem manter o contato visual. Outras já conseguem, porém não falam. Outras ficam extremamente angustiadas quando recebem o toque humano. Em alguns casos mais graves, a criança não consegue nem mesmo se alimentar ou realizar suas necessidades fisiológicas. Lembrando, que tais características não diagnosticam um quadro de TEA. Sempre será necessária uma avaliação mais profunda com um profissional adequado.
2. Como os pais reagem ao receberem o diagnóstico que tem um filho com o transtorno?
É sempre difícil para os pais receber o diagnóstico de um transtorno, seja ele qual for. No caso do espectro autista, acredito que a falta de conhecimento pode piorar essa reação. O que leva a existência de um certo “fantasma” e estereótipos em torno desse transtorno, o que muitas vezes não condiz com a realidade. Por isso ressalto a importância destes pais procurarem, o quanto antes, e conversarem com o maior número de profissionais especializados no assunto.
3. Sabemos que existem variações do transtorno, nesse caso o tratamento é feito individualmente?
Sim. Duas crianças com o transtorno não apresentarão os mesmos sintomas. Por isso o diagnóstico é algo que exige um profundo estudo de caso, para que o tratamento seja feito para esta criança específica e os sintomas que esta apresenta naquele momento. O profissional deve sempre estar atento aos avanços e às mudanças de comportamento que surgirão nesse trajeto.
4.O que você acha que falta para que tenhamos mais profissionais preparados para receber crianças com o transtorno na rede de ensino público?
Eu acredito que falta a escola falar mais sobre o assunto. Infelizmente, ainda há um estereotipo muito forte em cima da palavra “autismo”. O que acaba deixando o profissional de uma escola, não somente do ensino público como também as privadas, um pouco receoso no momento de lidar com essa criança, que vai exigir dele uma flexibilidade de ensino, o que não é muito comum no ambiente escolar.Além de um interesse pessoal desse profissional para buscar mais estudo sobre o transtorno.
5. Qual a relação da psicologia no tratamento do Autista?
O acompanhamento psicológico é fundamental para o tratamento do transtorno de espectro autista. O psicólogo será responsável pelo desenvolvimento cognitivo e emocional desse paciente, trabalhando com o intuito de que esta criança possa desenvolver, à sua maneira, uma relação saudável com o mundo externo. Seja a relação com outras pessoas, com a linguagem, com o estudo, com os alimentos, ou seja, com tudo que o mundo pode lhe oferecer e antes lhe causava um sofrimento paralisante. Com uma atenção especial e um acompanhamento específico para cada caso, que terão sintomas diferentes, com o tempo serão notadas evoluções na linguagem de forma geral (na forma de comunicar, na escrita, nos desenhos, nas brincadeiras, etc). Vale ressaltar, que é importante que o tratamento seja multiprofissional. Cada profissional têm sua importância no estudo e evolução do caso.
6. Com que frequência o tratamento com o autista deve ser realizado?Com um tratamento correto e o auxilio dos pais, dá para se ter uma idéia do tempo necessário para a criança começar a evoluir?
Como já foi dito, cada caso é um caso. Há casos de crianças em estados mais graves que outras. Porém, independente disso, o tratamento deve ser constante, sendo realizado uma vez por semana, ou mais. O profissional fará essa avaliação. O ideal é que não haja um longo espaço de tempo entre uma sessão de tratamento e outra. Ao se trabalhar com crianças autistas, cada mínimo avanço já é muito significativo. E cada avanço permitirá que o profissional evolua comsuas intervenções. Por isso a importância de se ter uma continuidade e de ser levado a sério, pois os prognósticos normalmente são muito positivos.
7. Quais tipos de exercícios ou tratamento você faz para que o autista tenha uma melhora?
Primeiramente, é fundamental que cada pessoa que conviva com uma criança autista, profissional ou não, respeite o seu momento e não ultrapasse os limites que ela impõe. Se uma criança se nega a manter o contato físico, não exija isso dela. Da mesma forma que, algumas vezes, a fala pode incomodá-la. Assim, é necessário que o profissional tenha sensibilidade para perceber qual o melhor caminho e quais atividades podem ser mais promissoras para esta criança, e qual ponto precisa ser mais desenvolvido na mesma. A própria criança nos mostra este caminho, indicando o que mais se sente à vontade: um esporte, brincadeiras com fantoches/bonecos, jogos, desenhos, livros, leitura... O importante é perceber o que a criança se interessa e desenvolver alguma atividade que o estimule a partir disso. É inútil realizar qualquer atividade com a criança autista forçadamente.
8. Você conhece algum paciente que teve uma melhora significativa do transtorno?
Sim. Já tive na clínica pacientes com TEA de diferentes faixas etárias, com os quais guiei o tratamento a partir destes princípios citados a cima, e tive grandes e gratificantes resultados. Um bom exemplo foi o caso de uma criança que inicialmente apenas balbuciava alguns sons e se negava a manter qualquer relação com os estudos, que no decorrer do tratamento passou a esboçar interesse por assuntos específicos, e em cima disso, pode desenvolver a fala e a leitura. É claro que os avanços não surgem de um dia para o outro. É um tratamento longo, que em algumas semanas terá avanços extraordinários enquanto em outros momentos pode ter resultados menores. Éfundamental ter paciência e estar sempre atento para inovações no tratamento, caso sinta necessidade.
9. Existe algum especialista que esteja preparado para ajudar aos PAIS das crianças?
É sempre indicado que os pais das crianças que estão em tratamento, façam também o seu acompanhamento psicológico pessoal. O tratamento com o psicólogo só pode trazer benefícios para a saúde mental desses pais. É obvio que cada família reagirá de uma forma diferente a partir do diagnóstico do filho – algumas com um peso maior ou menor. Porém, o psicólogo, além de orientações práticas e esclarecimentos sobre o diagnóstico do filho, poderá também tratar as suas angústias de um modo geral, o que refletirá diretamente na forma de lidar com essa criança.
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Profissional: Marina Correa Gomes Paulino - Terapeuta Ocupacional
1. Quais são os principais sinais que diferenciam uma criança com o Transtorno do espectro autista de crianças que não possuem esse transtorno?
Grande dificuldade na socialização/interação repertório de interesse restrito, linguagem comprometida, estereotipias.
2. Como os pais reagem ao receberem o diagnóstico que tem um filho com o transtorno?
Ansiosos buscam de todos os profissionais um direcionamento, vivenciam as fases do luto, mas a maioria se supera e se descobrem nessa caminhada muito mais forte.
3. Sabemos que existem variações do transtorno, nesse caso o tratamento é feito individualmente?
Com absolta certeza, cada ser humano é único, independente da sua condição de saúde.
4. O que você acha que falta para que tenhamos mais profissionais preparados para receber crianças com o transtorno na rede de ensino público?
Faltam parcerias entre saúde e educação, entre profissionais de outras áreas.
5. Para um dentista, qual a dificuldade em atender uma criança com autismo? Ela fica muito agitada? É necessário dar uma anestesia geral para atender a essa criança?
Podem ser vários, ou não ter dificuldade, isso vai de cada criança. Pode ser difícil para a criança compreender o que o dentista que e espera dele, pode ter uma hipersensibilidade tátil oral, visual ( luz intensa) e ou auditiva ( barulho dos equipamentos). Anestesia em ultimo caso, acredito que o trabalho de adaptação seja imprescindível, conhecer o profissional, estabelecer um vinculo, conhecer o ambiente, se familiarizar, trabalhar com historias para que saibam o que e esperado que ele faça, o que o profissional irá fazer, etc.
6. Qual a relação da psicologia no tratamento do Autista?
Acredito que o maior ganho seja com relação a melhora nos comportamentos e desenvolvimento cognitivo.
7.Com que frequência o tratamento com autista deve ser realizado?Com um tratamento correto e o auxilio dos pais, dá para se ter uma idéia do tempo necessário para a criança começar a evoluir?
Em média 2 x na semana atendimentos clínicos, mas escola e pais estimulando todos os dias podem potencializar ainda mais o tratamento. Acredito que em seis meses, com um trabalho em equipe é possível ter resultados funcionais.
8.Quais tipos de exercícios ou tratamento você faz para que o autista tenha uma melhora?
Trabalho dentro da abordagem da integração sensorial visando melhora na organização dessa criança, desenvolvendo habilidades para realizar atividades como tomar banho, ir ao banheiro, trocar de roupa, brincar, escrever, desenhar, correr, pular, andar de bicicleta, etc. Trabalhamos para ela ser mais independente e autônoma possível! Utilizamos os estímulos sensoriais para desenvolver habilidades, favorecendo melhora no processamento sensorial dessas crianças, visto que a maioria apresenta falha de processamento sensorial, interferindo sistematicamente no seu comportamento. Utilizamos equipamentos e recursos estimulam os sistemas: Tátil: toque (discriminação e proteção), Vestibular: movimento e gravidade, Proprioceptivos: posição do corpo no espaço; esses são os principais sistemas de base para consciência corporal através das interações físicas com o ambiente. Todos os estímulos são oferecidos dentro de um contexto de brincadeira, de jogos e desafios, corporais e cognitivos.
9. Você conhece algum paciente que teve uma melhora significativa do transtorno?
Sim!!! Têm adolescentes cursando o ensino fundamental II que precisam de poucas adaptações, fazem seu próprio lanche, utilizam os serviços da cidade de maneira independente, etc., é muito possível, todos têm limitações e todos tem muita potencialidade, como nós!
10. Existe algum especialista que esteja preparado para ajudar aos PAIS das crianças?
Sim! Todos os profissionais que trabalham com a criança devem orientar os pais como parte do tratamento.
Todos os profissionais que foram entrevistados, estão ciente da divulgação do que foi entregue ao grupo. Não houve alteração em nenhuma parte da entrevista.